sexta-feira, 19 de junho de 2009

O VIL METAL (Danuza Leão)

Dinheiro é bom: mas dá para viver sem?
Dá, desde que não seja pouco demais. Eu já vivi com o essencial. Aprendi a fazer minhas unhas, cabeleireiro nem pensar. No auge do calor, ligava o arcondicionado antes de dormir e só entrava no quarto quando ele estivesse gelado. Aí, desligava o ar, dormia no paraíso (e acordava no inferno). Aproveitava para fazer dieta: comecei a ir à feira, conheci legumes que nem sabia que existiam e que eu fazia na panela de vapor, sem azeite extravirgem nem vinagre balsâmico. A saúde ficou maravilhosa, e tanto me acostumei à nova maneira de comer que não podia nem ver comidas temperadas. Compras estavam fora de cogitação, mas, como sei costurar, abria um decote num vestido, uma fenda numa saia e estava sempre bem; não elegantíssima, mas, como tenho cara de rica, tudo combinava. Fui infeliz nesse tempo? Nem um pouco, porque tenho sorte: eu me adapto a quase tudo sem problema.
Mas que com dinheiro a vida fica melhor, lá isso fica. E a melhor coisa do dinheiro é você não pensar nele, usar o cartão de crédito sem precisar fazer contas, se quiser viajar é só telefonar e marcar a passagem... Sofre-se – porque rico também sofre – por várias razões, mas não por falta de fundos. É confortável.
Quando se está só, a gente se vira; mas, quando um casal tem que baixar de padrão, as brigas são inevitáveis. Ela acha que, se não pode mais ir ao shopping com seu carrão, é culpa dele, que não soube lidar bem com o dinheiro; e ele acha que, se está duro, é por ter liberado o cartão de crédito para ela, que gastava como uma princesa árabe. Não existem mais Amélias neste mundo.

4 comentários:

Mônica disse...

Lisa
Tem uma história infantil que conta o que aconteceu com as princesas encantadas
Mas é para as crianças rirem
Com carinho Monica

Mônica disse...

Lisa
Será que eu vou aceitar?
Isto é para quem tem uma vida social. Eu só vou nas casas das minhas irmãs e as minhas viagens são de anos atras.
Bem tem uma que foi o ano passado ,mas foi uma ideia do meu irmão Homero.
Eu acho que eles vão desistir assim que me conhecerem.
Obrigada por estar comigo.
E Graças a Deus está melhor. Que gripe enjuada!
Com amor Monica

Mônica disse...

Lisa
Eu escrevi no local errado.
Eu já fiz terapia para saber administrar meu donheiro. Acredita?
Papai dizia que os filhos são diferentes, um é pão duro, outro brincalhão, outro de estopim curto e outra mão aberta.
Mas que os pais tem que saber lidar com cada filho para que percebam que não são diferentes um dos outros.
E sabe que quando estudávamos todos os nossos professores pensavam que eramos filhos unicos com excessão das gemeas.
Não sei se isto é bom ou mal sinal
Com carinho Monica

Luz disse...

Lisa
Não conhecia esse texto da Danuza mas o achei perfeito!
Também já vivi com o essencial. Na verdade com o essencial vivemos muito bem.
Porque complicamos a vida né?
Beijinhos