terça-feira, 10 de novembro de 2009

TO GOSTANDO DE LER..

A obra conta a história de Serginho, cidadão de Cataguases, interior de Minas Gerais, que depois de ver o casamento ir pro “brejo” com Noemi – uma moça de “ideia fraca”, decidiu de posse das raspas do dinheiro da herança deixada pela mãe e a indenização do emprego que acabara de perder - ir para Portugal. Mais para “calar” uma cidade inteira – interiorana e credora da vida alheia que apostava em sua desistência - do que por projeto de vida. Serginho é um sujeito simples, sem grandes aspirações, de vida pacata entre cervejinhas, moças e o jogo de futebol. Num domingo de manhã, sapeando a conversa-fiada dos pingunços, mencionou meio impensado “Pro Estrangeiro” – quando lhe perguntaram o que faria da vida. Antes mesmo de debocharem da sua decisão já deram o destino ao pobre.

Como é que um sujeito chega em Portugal?”, “De avião, ora pois”, “Como é que é um avião por dentro?”, “Apertado”, “De onde sai o avião?”, “Do Rio de Janeiro”, “Quanto tempo demora a ida?”, “Umas nove horas”, “E a volta?”, “Mesma coisa, ora pois”, “Tem banheiro?”, “Evidentemente”, “Dá para dormir?”, “Até ronco”, “Tem comida?”, “A da TAP é boa”, “E o país?”, “O melhor lugar do mundo”. (Inquérito de Serginho ao seu Oliveira, um português residente em Cataguases)

Botar os pés em Portugal não foi nada fácil já que o “conjunto da obra” – ingenuidade de viajante inexperiente, falta de recursos e diferenças culturais veem à tona. A segunda metade do livro conta justamente a “peregrinação” de Serginho em Lisboa, os brasileiros e portugueses que passam a fazer parte de sua vida, e toda a carga que isso implica, e as provações do imigrante sem cultura e recursos.

“Confesso que pensei até em arrumar as coisas e regressar, admitir que aquele empreendimento não era para minha estatura não, que importa se rissem do meu fracasso?, não havia sido assim até o momento? (…) Depois de uma fase, motivo de chacota da cidade inteira, talvez mesmo da região, outras estupidezes mais curiosas iam aparecer, as pessoas esqueciam, o que sustenta a piada é a novidade”

Estive em Lisboa e lembrei de você” é o terceiro livro da série “Amores Expressos”. O projeto propôs a dezesseis autores brasileiros, de diferentes gerações, que escrevessem histórias de amor. Cada autor foi enviado a uma cidade ao redor do mundo, servindo de cenário e inspiração para suas narrativas. À Ruffato, claro, coube Lisboa. O escritor Daniel Galera abriu a série com a publicação de “Cordilheira” (Buenos Aires), seguido de Bernardo Carvalho com “O filho da mãe” (São Petersburgo).

5 comentários:

Elisa no blog disse...

Fiquei curiosa, gostaria de ler esse livro. Será que tem online?
A gente sempre se identifica quando vê brasileiro em terras estranhas. Quase todo mundo é mais fechado que os brasilieros.
bj

Mônica disse...

Lisa
Vou ver se Andrea troca o que ganhei por este.
Estou indo para S A depois para Araxa. Vou ficar sumidinha.
Com carinho Monica
Até sexta que vem.

Graça disse...

Lisa, que obra mais gostosa de se ler!
Amo memórias...
E esse rapaz, meu conterrâneo de estado, se superou, hein?
Um vitorioso e merece todo nosso respeito e admiração!
Bjsssss
e grata por compartilhar...

mar e ilha disse...

Que interessante. Vou colocar na minha lista de aquisições....
Gostei dos trechos que vc mencionaou.

Fabiano Mayrink disse...

Lisa vou te colocar na minha listinha, sabia que vc foi a primeira a comentar no cogumelo :) ele é velho, depois comento sobre ele!

bjs