sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre paixoes e auto-estima

Sou a favor do amor. Sempre. Sou daquelas que precisa estar apaixonada o tempo todo. Claro que na maioria das vezes o alvo da minha paixão é um rapaz mais ou menos alto, com cara de homem e que beija bem. Mas algumas vezes me apaixono também por um livro, por um trabalho novo. Até por novelas eu sou apaixonada.

Minha última paixão durou 10 meses. Quase um ano de adrenalina pura: frio no estômago, downloads de música para ele, contagem regressiva para o próximo encontro. Uma delícia de vida. Até que a chama foi apagando. A chama dele, é bom deixar claro. Comecei a perceber aqueles sinais que a gente adora fingir que não estão ali, acenando pra gente a fim de mostrar que o outro não está na mesma sintonia. Por sorte os percebi e tratei de fazer o que era preciso: me afastei. Certa vez ouvi que uma dama sempre sabe a hora de se retirar e, mesmo sem ser assim tão dama, tão fina, agi como se fosse. Doeu? Pra caramba, mas doeria muito mais ver aquela história tão gostosa ir morrendo aos poucos. Enchi-me de coragem e falei "acabou, né?". Ele ficou atônito, sem palavras e eu continuei: neguinho, lembra o que combinamos no início? Que só ficaríamos juntos para sermos felizes, nossos momentos juntos seriam os melhores do mundo. Nossa história foi incrível, mas você não está mais a fim, então é hora de acabar.
Acabamos eu e ele, a paixão continuou. Mas meu lado capricorniano fala alto de vez em quando e me faz usar a razão: não vale a pena estar com alguém que não vai feliz da vida ao cinema comigo. Não vale a pena fazer-me cega para a falta de paixão do outro. Semanas de choro e muito colinho de amigas depois, reencontrei meu eixo e fiquei feliz por saber que fiz algo tão bom para minha autoestima, para meu amor próprio. E, principalmente, por ver que não deixei uma linda história de paixão, sexo e desejo virar uma coisa mais ou menos. Nosso romance teve um infarto fulminante, não precisou ir pra UTI, não agonizou. E hoje é uma linda lembrança.

Ok, eu sei que você vai pensar "pô, Aline, você deveria ter investido mais" ou "Ai, você desiste muito fácil". Não, eu não desisto fácil, eu só aprendi que para mim "pouco" nunca é o bastante. Eu quero tudo, eu quero muito. Sim, você advinhou: eu sou exigente. Estar com alguém que não está comigo me faz um mal imenso. E há algum tempo aprendi que sou eu que preciso cuidar de mim, não posso deixar esta responsabilidade nas mãos do outro. É muita responsabilidade para ele e muita burrice da minha parte.
Geralmente condicionar a felicidade ao fato de ter um namorado faz mal à minha saúde mental, à minha autoestima. E quando a paixão vai ladeira abaixo, me dá uma vontade imensa de desistir do amor. E se tem uma coisa a que me recuso é endurecer meu coração. O dia que isto acontecer vou perder o que tenho de mais bonito em mim: a capacidade de amar. Então, prefiro eu mesma cuidar de mim, ser seletiva, ser cuidadosa. Sou especial demais para me entregar a qualquer um. Da mesma forma que abandono um livro ruim, não uso uma roupa que não me caia bem, também dispenso um namoro morno. Sou especial demais e qualquer hora vai pintar um carinha apaixonado por mim. Enquanto isso, vou curtindo outras paixões: meus livros, meus textos, meus amigos.

P.S.: Esse texto é da minha querida amiga Aline Gouvea. Para conhecê-la, acessem aqui:  http://alinegouveamello.blogspot.com/


5 comentários:

Andrea disse...

A Aline escreve super bem não é Lisa ??!!... adoro o blog dela e o seu também ...
Beijão amiga e ótimo fim de semana

mar e ilha disse...

Engraçado, qdo estava lendo o seu post achei que parecia com o texto da Aline. Não parecia com as coisas que vc posta, apesar de serem lindas tb. !!!
A Aline tem razão neste post dela Pena que nem todas sabem a hora de pular fora...
bjs e bom domingo

bacouca disse...

Lisa,
O que se passou com a Aline, passasse com muitas outras mulheres: amores não correspondidos. Eu também sou capricorniana e concordo: ou 8 ou 80!
Beijo

Mônica disse...

Lisa
Eu adoro os textos de Aline.
Ela deveria escrever um livro. Eu seria a primeira a compra-lo.
E além disto ela mistura tão bem a ficção que a gente pensa que está acontecendo de verdade.
Voce teve uma otima ideia
com carinho MOnica
Eu também te adoro.
Minhas primeiras amiguinhas, voce e Aline

Letícia M. disse...

Aline como sempre arrasa né ... pura sensibilidade e leveza!

Um beijo , querida!