quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SOBRE ELEGÂNCIA

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
A elegância de comportamento” é uma elegância própria, “desobrigada” e natural. Isso porque ela não tem a ver com manuais de etiqueta, mas com convicção pessoal. Trata-se de uma postura que decorre de um profundo respeito por si e pelo outro.E é por isso uma elegância desobrigada.


É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.É uma elegância desobrigada.



É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
É elegante a gentileza.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. 

Atitudes gentis falam mais que mil imagens. Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar, sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma. Oferecer ajuda.é muito elegante. Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.


Extraído do livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO, pintor francês Toulouse-Lautrec (1864-1901).

4 comentários:

bacouca disse...

Lisa,
Ia lendo o texto e abanando a cabeça, num gesto afirmativo, do que o mesmo descrevia sobre a elegância!
Infelizmente,aos 57 anos posso contar pelos dedos de uma, talvez duas, mãos, pessoas elegantes que tive o prazer de conhecer e conviver. Para quem é, é tão natural como respirar!
Magnifico texto! Vou "rouba-lo", posso?
Beijo

Shuzy disse...

Esse livro é maravilhoso... E... Pessoas elegantes são tão raras!
Lamentável...

Sotnas disse...

Olá Lisa, que tudo esteja bem contigo!
Ser elegante nos tempos de hoje está fora dos conceitos de vida de muitos deselegantes!
Pois um dos principais atos que demonstram a elegância em alguém é o respeito pelo próximo, e isto muito poucas pessoas praticam nos dias de hoje!
Por isso penso que ser elegante e você ser o que é, sem que precise demonstrar ou que alguém pergunte para outros como é você!
Lisa eu te desejo e também a todos ao redor iluminada felicidade sempre! Obrigado pelo carinho e amizade, abraço e até mais!

Isadhora disse...

Tô babando por esse texto!!!
Love it!!!


http://isadhoracamacho.blogspot.com/